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DESCASO, POBREZA E ESCRAVIDÃO NOS GARIMPOS DE ITAITUBA

Clique para ampliar a imagem O ministro Roberto Mangabeira Unger visitou na terça-feira (1) o Garimpo de Bom Jesus, em Itaituba, no Oeste do Pará.

‘Uma ferida aberta da Amazônia e do Brasil’, assim o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República se referiu à situação encontrada no Vale do Rio Tapajós, área onde se localizam os maiores garimpos do Estado.

A região é de difícil acesso. Depois de voar até Itaituba a comitiva da Secretaria de Assuntos Estratégicos foi levada por um helicóptero da Força Aérea Brasileira até Bom Jesus. Os trabalhadores que atuam no local já estavam mobilizados quando Unger chegou à localidade.

O encontro foi marcado por diversas denúncias contra o dono do garimpo. “Eu estou 8 meses dentro do mato. Fui uma das primeiras a chegar aqui. A gente sofre demais. Pega malária. Eu já tive 13 depois que cheguei. É muito sofrido”, contou uma mulher.

No lugar trabalham cerca de duas mil pessoas, apenas dez retiram do solo quantias razoáveis de ouro. Os outros garimpeiros mal conseguem sobreviver com o dinheiro ganho.

A ameaça de malária é constante. Quem adoece sofre mais ainda. O único transporte é aéreo.

“O avião só chega aqui se tiver porcentagem, se não tiver ouro ele não vem. Quando alguém adoece morre aqui mesmo porque a maioria não tem dinheiro para pagar o vôo até a cidade mais próxima”, relatou um trabalhador.

Os garimpeiros geralmente ficam em barracos no meio do mato. Para encontrar o filão de ouro trabalham de 2 a 5 meses cavando buracos de até 14 metros. Tudo o que encontram tem que ser dividido com o dono do garimpo.

As observações durante a visita aos garimpeiros viraram tema de um debate com autoridades locais e com lideranças comunitárias.

A reunião entre prefeitos e governo do estado resultou na criação de medidas que modificarão o setor de mineração na Amazônia. O objetivo é regularizar a lavra mineral, providenciar uma justiça itinerante nos garimpos, para que os trabalhadores conheçam e tenham seus direitos respeitados e assegurar assistência médica hospitalar, previdenciária e trabalhista.

“O Estado precisa se fazer mais presente. A situação em que vivem esses garimpeiros é muito sofrida. O garimpo, essa ferida, pode sim ser convertida em uma oportunidade transformadora”, afirmou Unger.

A visita do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos reacendeu o debate sobre a questão social, ambiental e trabalhista na região de garimpos. A expectativa é de que em breve um novo modelo de mineração seja implantado na Amazônia.

Fonte: Com informações de Cassiélle Rangel
Data da publicação: 03/04/2009

 

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